O Avaí, ao longo de sua história, revelou inúmeros craques. Alguns deles, no entanto, não receberam o destaque merecido. É o caso do ponta esquerda, da década de quarenta, Plácido Zacchi. Hoje, aos 92 anos, ainda rememora com carinho seus bons tempos no futebol, especialmente no AVAÍ, sua grande paixão.
Para homenageá-lo, no último dia 10 de fevereiro, fomos até sua residência, onde ao lado de suas filhas e alguns netos, o simpático Zacchi nos aguardava com um sorriso no rosto e mil histórias para contar.
Gostaríamos de aproveitar a oportunidade e sugerir que a Direção do AVAÍ siga nosso exemplo, e promova o reconhecimento desse nobre jogador avaiano, tetracampeão catarinense!
Chuleta Avaiana - Em que ano o senhor iniciou sua carreira no futebol? Por quais times jogou?
Zacchi - Iniciei meus primeiros passos no futebol ainda moleque nos campos de futebol da Palhoça. Joguei no Atlético 14° Batalhão, Imbituba e AVAÍ. Também fui convidado para jogar no Figueirense, pelo então presidente, Tomaz Chaves Cabral, mas neguei o convite pelo compromisso que tinha com Celso Ramos e com o AVAÍ.
Chuleta Avaiana - Quais foram seus primeiros ídolos no futebol?
Zacchi - Meu primeiro ídolo foi Adolfinho, que tinha uma maneira única de defender. Até hoje não encontrei um goleiro como ele. Suas mãos grudavam na bola de uma forma única.
 |
Seu Zacchi e os chuleteiros André Couto e Jajá Alcides |
Chuleta Avaiana - Como o senhor foi descoberto, e quem foi o responsável por levá-lo para jogar no AVAÍ?
Zacchi - O AVAÍ foi jogar contra o Imbituba e perdeu pelo placar de 2 x 1. Nessa ocasião, eu jogava pelo Imbituba. Como estava desempregado, fui convidado pelo coletor estadual de Imbituba a compor a equipe, remunerado pelo Estado (os dirigentes me arrumaram um emprego de Guarda Mensalista). O Governador Celso Ramos viu meu futebol e me convidou para jogar. No primeiro jogo fui como um enxerto, para disputar uma partida em Curitiba. O jogo terminou 3 x 3 e fomos garfados discaradamente. A partir daquele jogo passei a integrar o time avaiano. |
Com seu neto, Dr. Ricardo Zacchi. |
Chuleta Avaiana – Quando iniciou e encerrou sua carreira AVAÍ?
Zacchi - Iniciei minha carreira em 1941 e encerrei em 1948, depois de passar em concurso para coletor federal. A vida de jogador profissional era muito difícil.
Chuleta Avaiana - Quais foram seus principais treinadores?
Zacchi - Eu só tive um grande treinador e se chamava Félix Magno. Ele foi o melhor porque além de treinador também tinha sido jogador de futebol e conhecia do riscado. Jogador com ele não tinha moleza, se bobeasse ele sacava do time. Félix era um "cara batuta".
Chuleta Avaiana - Qual o maior jogador que viu jogar no futebol brasileiro e no AVAÍ?
Zacchi - O maior jogador que vi jogar no futebol brasileiro foi Garrincha, pois conseguia fazer dribles maravilhosos em um pequeno espaço. No AVAÍ, além de Adolfindo, outro atleta que enchia os olhos era Saul Oliveira, pois era valente, tinha muita garra e chutava bem com os dois pés. Nizeta foi outro craque, mas faltava-lhe a perna esquerda.
 |
Plácido Zacchi e sua filha Ângela |
Chuleta Avaiana - Qual a diferença entre o futebol jogado na sua época e o futebol de hoje?
Zacchi - O sistema era diferente, os gramados eram terríveis, os jogadores tinham amor pelo clube, pois ganhavam apenas para a passagem de ônibus e comida. O futebol não pagava nem de longe o que se paga hoje. A bola ficava muito pesada quando chovia, era um tijolo e devido a irregularidade do gramado ficava difícil prever sua trajetória.
Chuleta Avaiana - Quantos títulos o senhor colecionou ao longo de sua carreira e quantos gols marcou?
Zacchi - O número de gols é impossível lembrar, faz muito tempo, mas fiz muitos gols e fui tetracampeão catarinense (1942, 1943, 1944 e 1945). O time daquela época era muito bom, tínhamos jogadores fantásticos como Procópio, Diamantino, Tião, Nizeta, Bráulio, Adolfinho, Saul, Fateco, Felipinho, Cruz, etc. É impossível citar todos, mas éramos um ótimo grupo.
Chuleta Avaiana - Qual o jogo e o gol inesquecível na sua carreira?
Zacchi - Foi um clássico. O seu Celso Ramos mandou eu mudar o canto que eu chutava, pois ele dizia que eu estava chutando sempre onde o goleiro ficava bem posicionado. Eu fiz o que ele mandou e acabei fazendo o gol. Nesse jogo vencemos o Figueirense mais uma vez.
Chuleta Avaiana - Considerando o momento por que passa o AVAÍ, o senhor acredita que ainda existe esperança no tricampeonato estadual?
Zacchi - O AVAÍ pode não estar vivendo um bom momento na competição, mas nós estamos acostumados a ser campeões, então vamos ser tricampeões. |
Essa Seu Zacchi fez questão: beijar o escudo avaiano! |
O título deste post não surgiu por acaso! Nas paredes da família Zacchi, um presente do então presidente avaiano Arnaldo Dutra (46/47) nos chama a atenção. Trata-se de uma foto emoldurada e os dizeres de próprio punho: "ao melhor ponta esquerda". Como a própria família destaca, uma homenagem marcante e impossível de se esquecer...
No bate papo, depois da animada entrevista, afinal estava difícil abandonar a carismática família, os "causos" hilários e pra lá de curiosos, continuam. Seu Zacchi foi longe! Uma viagem de belas lembranças:
"Procópio chamava o jogador Tião de Suzana, porque ele estava gordo como ela". Suzana era uma afrodescendente gorda que morava em Florianópolis, que era muito conhecida. "A gente sempre se divertia muito."
Não seria Suzana, uma espécie de "musa Gorete" de nossa Chuleta Avaiana? Fica a dúvida!
Ao nosso melhor ponta esquerda da década de quarenta, fica aqui a homenagem do Blog da Chuleta Avaiana. Parabéns Seu Zacchi ! Obrigado !